Sinal e boca fechados…

Por Camila de Ávila

“Sinal Fechado” (escute aqui), que passa sensação de urgência, foi composta pelo sambista carioca Paulino da Viola para o que seria o último Festival da Canção da TV Record em 1969. No ano anterior (e no post anterior) a vencedora havia sido “Sabiá” (escute aqui), de Chico Buarque e Tom Jobim, lírica e carregada de críticas ao regime militar que comandou o Brasil entre 1964 e 1985. A música de Paulinho da Viola surge como um alento aos momentos tão pesados do país. Será?

paulinho da viola maio 1969

De acordo com Zuza Homem de Mello a crítica que “Sinal Fechado” apresentava é profunda. “Na letra de “Sinal Fechado”, a dificuldade do diálogo, o isolamento na cidade, a necessidade de fuga e o final sem fim, refletem a mordaça da comunicação. Para a historiadora Ângela de Castro Gomes, é a melhor das músicas de festival com conotação política, elaborada em pleno regime militar. Paulinho, que jamais pretendeu fazer uma música retratando esse período, fez questão de dar esse caráter pesado ao lirismo da composição através do arranjo e de sua interpretação fria”, afirma no livro “A era dos festivais – uma parábola”, da editora 34.

Zuza conta, no mencionado livro, que a música surgiu de um sonho do compositor. “Paulinho embarcava num ônibus e via alguém lá na frente com quem desejava falar. Como o ônibus estava muito cheio, tinha que se comunicar por sinais, que eram correspondidos. O veículo parava exatamente no mesmo ponto, como se tivesse se movimentado e, ao mesmo tempo, permanecido no mesmo lugar. A pessoa saltava, enquanto ele, ainda de dentro, tentava inutilmente continuar a comunicação”.

(Texto retirado do semanário #Momentos.Musicais)

 

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